mais
Por que se associar
Quer receber notícias, clique aqui.
mais
Joven Pan
Entrevista com
Paulo Pedrosa


Jovem Pan
Entrevista com
Ricardo Lima
 



29/07/2010 - Debate
Integração energética desenvolverá modelos setoriais, avalia Gesel

A integração energética permitirá o desenvolvimento dos modelos estrutrais elétricos dos países da América Latina. A avaliação é do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel/UFRJ), que realizou evento sobre o tema esta semana, no Rio de Janeiro, com foco nas relações entre Brasil e Bolívia. 

Segundo o coordenador do Gesel, Nivalde José de Castro, o intercâmbio possibilita o desenvolvimento de políticas de planejamento energético, reduzindo custos para esses países. Nivalde acredita que a Bolívia possui interesse em construir hidrelétricas em parceria com outros países. 

No entanto, ele avalia que o objetivo do país vizinho deve ser exportar a maior parte do insumo para o Brasil, visto que os bolivianos possuem uma demanda pequena de consumo. "Pelo que nós ouvimos no seminário, a Bolívia está interessada em construir hidrelétricas para exportar energia e, na nossa avaliação, essa exportação será prioritariamente para o Brasil", avaliou o professor na última terça-feira, 27 de julho, durante o Seminário Internacional de Integração Energética Bolívia-Brasil, promovido pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ. Brasil e Bolívia possuem cerca de três mil quilômetros de fronteira.

Na avaliação do Gesel, a integração energética atual com Argentina, Uruguai e Bolívia é feita sem riscos de suprimento. Segundo ele, a demanda exportada representa pouco mais de 2 mil MW, menos de 2% da demanda brasileira. "A integração, dada a escala que o Brasil tem e a não necessidade de utilizarmos recursos de outros países, pode ser vista como processo mais amplo, de afirmação do Brasil como potência regional", observou.

Nivalde destacou que o marco regulatório brasileiro é atrativo para os países vizinhos, na medida em que é sólido e permite gerar contratos de 30 anos. Além disso, ele ressaltou que o país possui boas condições de financiamento. "[Integração energética] nos parece viável porque o Brasil tem o BNDES que financia esse tipo de empreendimento fora do país, tem um complexo industrial com a capacidade de construir essas usinas - empresas de engenharia, consultoria, construção civil - e tem a Eletrobras, que é uma parceira", observou.

Para o professor, o primeiro movimento para a integração deve ser o Brasil se tornar player em território vizinho. Nivalde acredita que a estrutura do setor elétrico dos países vizinhos do Brasil ainda precisam de aperfeiçoamentos e caminhar para uma matriz limpa, constituída principalmente por fontes renováveis. "Por conta do período de reforma dos anos 90, esses países não conseguiram construir matriz limpa e competitiva. Com hidrelétricas, consegue-se garantir uma energia limpa e mais barata", disse.

Atualmente, a Bolívia possui um parque instalado de aproximadamente 1.530 MW. A geração anual é  da ordem de 6.120 GWh, para atender uma demanda próxima dos 5.620 GWh/ano. De acordo com o vice ministro de Eletricidade e Energias Alternativas da Bolívia, Roberto Peredo Echazú, sete dos nove departamentos bolivianos estão conectados ao sistema interligado local. A expectativa é que mais um estado seja conectado até 2012. A matriz boliviana, segundo dados de 2009, tinha 66% de participação de energia térmica, 32% hidrelétrica e 2% de biomassa a partir do bagaço de cana.

Na Bolívia, o governo participa de 71% do parque gerador, através da Empresa Nacional de Eletrificación (Ende), estatal local. Echázu contou que a empresa procura novos projetos de infraestrutura de transmissão e expansão da integração. No campo de geração, a maior parte deve ser proveniente de energias renováveis. 

O país recebe atualmente até 0,6 MW do Brasil. O secretário Geral da Ende, Rafael Alarcón, ressaltou que o interesse da Bolívia está não somente no Brasil, mas nos outros países de fronteira -  Argentina, Paraguai, Peru e Chile. "Estamos reforçando nosso parque gerador e nosso sistema de transmissão. Isso possibilita pensar numa Bolívia disposta à integração", afirmou.



Fonte: Canal Energia
Autor: Danilo Oliveira

Voltar   |   Topo




"As informações disponibilizadas no site da ABRACE são obtidas de fontes entendidas como confiáveis. A ABRACE não responde, com relação às informações constantes das páginas, por quaisquer erros ou omissões, dado que toda informação é disponibilizada aos usuários  "tal como está" sem nenhuma garantia, por parte da ABRACE, de qualquer espécie."