10/03/2010
ESS supera os R$ 140 milhões com maior segurança em Itaipu em fevereiro, projeta Abrace
Operação em nível N-3 custa R$ 81 milhões ao sistema. Funcionamento precário de interligação Acre/Rondônia também pressiona encargo
O Encargo de Serviços do Sistema voltou a ser pressionado para cima nos últimos meses. Em fevereiro, o custo de operação das térmicas chegou a R$ 142, 889 milhões, o maior nível desde maio do ano passado, segundo projeções da Associação Brasileira de Grandes Consumidores e Consumidores Livres de Energia. O estudo aponta como "vilões" a operação em nível N-3 no sistema de transmissão de Itaipu, precaridade da interligação de Acre e Rondônia ao SIN e o esquema especial de Carnaval.
O critério de segurança N-3 para Itaipu significa que o fornecimento de energia não deve ser interrompido, mesmo que três linhas caiam, como ocorreu no blecaute de novembro do ano passado. Com isso, é necessário um despacho complementar de 2.500 MW, lembra o documento da Abrace. Isso resultou em um custo de R$ 81 milhões para o sistema elétrico, somente em fevereiro.
Essa operação especial deve continuar até que equipamento que recompõem a integridade de isoladores sejam instalados. "Segundo o ONS, o chamado chapéu chinês, já foi encomendado e a previsão é de que o primeiro dos três estáfios que o compõe seja instalado até o final de abril ou começo de maio", afirma o relatório.
Depois do reforço na proteção dos isoladores, a perspectiva é que a linha de Itaipu voltará a ser operada sob o critério N-2, continua o documento. Para Luciano Pacheco, diretor-técnico regulatório da Abrace, mesmo esse nível de segurança é elevado, visto que o Sistema Interligado Nacional funciona sob o critério N-1. "Isso é, claramente, para evitar um novo apagão. É um critério muito rigoroso", afirmou o executivo.
Outro fator que vem pressionando o ESS é a operação de duas termelétricas complementares a interligação de Acre e Rondônia ao SIN. As usinas são necessárias porque apenas um circuito está realizando a interconexão. Desde a interligação, os dois estados sofreram diversos cortes de energia, alguns com duração de horas. Nos meses de novembro e dezembro passado, as térmicas demandaram mais 85% do valor da conta.
Em novembro, por exemplo, dos R$ 65,332 milhões totais do ESS, 88,68% foram para custear a operação das térmicas, ou quase R$ 60 milhões. No mês de dezembro, de R$ 60, 259 milhões, 85, 46% milhões foram para a interligação, o equivalente a R$ 51,4 milhões. Para a Abrace, mesmo depois da conclusão do segundo circuito, não haverá redução da operação das usinas Termonorte I e Termonorte II.
Isso porque o sistema continuará a transportar os mesmo 210 MW médios da atualidade. Ou seja, a associação prevê que o despeacho das duas térmicas continue custando aos consumidores R$ 50 milhões por mês. Em janeiro, o ESS ficou em R$ 72, 643 milhões, sendo 69,10 % pela operação das térmicas. No mês passados, dos R$ 142, 889 milhões do encargo, um terço foi para o Acre e Rondônia.
Até a operação especial para o Carnval contribuiu para a elevação de ESS em fevereiro. Foram gastos cerca de R$ 14 milhões, ou 9,8 % do custo total do encargo, para garantir o fornecimento durante o feriado prolongado. Foram despachadas oito térmicas em um total de 1.800 MW médios.
De acordo com Pacheco, os consumidores livres sentem imediatamente o impacto do aumento do encargo, mas os clientes das distribuidoras deverão sofrer o impacto nos reajustes tarifários do ano que vem. Em 2009, e ESS custou cerca de R$ 470 milhões aos consumidores de energia. No ano anterior, a conta tinha ficado em R$ 2,3 bilhões. Somente no primeiro bimestre desde ano foram R$ 215,5 milhões para o ESS.
A diferença deste para os outros anos é que os gastos do encargo estão sendo feitos por restrição da operação e não por segurança energética, como, em 2008, quando o país sofreu severa estiagem prolongada. No ano passado, a divisão dos gastos foi equiânime.
Fonte:
Canal Energia
Autor:
Alexandre Canazio
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