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05/03/2010
Elevação de PLD não indica desabastecimento, mas volatilidade preocupa, segundo agentes

A variação do Preço de Liquidação de Diferenças em mais de 100% em apenas uma semana não é um sinal de problemas de abastecimento, como poderia sinalizar, mas indica uma mudança de hidrologia que foi capturada pelo indicador. Porém, mais do que a magnitude da oscilação, é a volatilidade do PLD que tem despertado preocupação dos agentes. A proposta de mudança ou de aperfeiçoamento da metodologia de cálculo do preço spot ainda está sendo debatida no comitê formado especificamente para o tema, com coordenação pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.
Uma queda de afluências na região Nordeste foi o principal fator de variação do PLD,. avaliaram agentes ouvidos pela Agência CanalEnergia. Segundo o boletim de março das Previsões de Vazões do Operador Nacional do Sistema Elétrico, a previsão de fechamento da energia natural afluente média mensal no mês de março para o Nordeste é de 38% da Média de Longo Termo (MLT), o que corresponde a 5.737 MWmed, abaixo dos 48% da MLT (7.329 MWmed) previstos para este mês, que é o último do período úmido. Além disso, o Sudeste/Centro-Oeste começou a verificar queda na energia natural afluente.
De acordo com a CCEE, as afluências abaixo da média histórica no Sudeste/Centro Oeste, Sul e Norte foram responsáveis pelo aumento dos preços para a primeira semana de março. Os preços valem até a próxima sexta-feira, 5. "Notamos que na primeira afluência, estamos decaindo e foi a primeira semana desde o ano passado que o Sudeste caiu abaixo da MLT", aponta Lúcio Reis, diretor-executivo da Associação Nacional de Consumidores de Energia. Para ele, a maior preocupação para o PLD é o despacho de térmicas fora da ordem de mérito. Reis observa que as termelétricas estão gerando nessa condição por conta das dúvidas que ainda pairam sobre Itaipu e seu sistema associado, entre outras razões, e salienta que se não fosse a condição de despacho diferenciado, o PLD seria ainda maior.
"Deve-se dar o sinal adequado, porque assim o PLD se mostra adequadamente. Deve-se acreditar no PLD via modelo, pelo menos enquanto não se implanta uma nova metodologia ou algumas correções, mas não se tira a volatilidade com térmicas fora da ordem de mérito, porque o consumidor é quem paga esse despacho", avalia. Já o presidente executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres, Ricardo Lima, acredita que os despachos fora da ordem de mérito não distorcem o PLD, mas o valor pago pelo consumidor. Reis, da Anace, salienta ainda que em termos de armazenamento, o Sul e o Sudeste ficaram estáveis em relação a janeiro. "Se fizermos um acompanhamento do ano passado, nesta época chegamos a 84% e estamos hoje a 77%", afirma Reis. O executivo lembra ainda que a carga está elevada. "Fevereiro deste ano registrou 11% acima do verificado no mesmo mês de 2009 e temos a expectativa de ter março com 10% acima do que o mesmo mês no ano passado", comentou.
ESS - Em fevereiro, o valor do Encargo de Serviços do Sistema já passou de R$ 141 milhões, conta Lima. "O consumidor paga integralmente pelo encargo,a não ser por razão elétrica, que é dividida pelo gerador. A distribuidora paga esse encargo no mês seguinte, o da liquidação, mas o consumidor cativo só paga na ocasião do reajuste. Já o cliente livre paga no mês, junto com a liquidação".
Bernardo Vieira Bezerra, consultor da PSR, explica ainda que as maiores oscilações do preço se dão no período seco. "Saltos maiores tendem a ocorrer no período seco", disse, acrescentando que as previsões futuras indicam cenários semelhantes na região. Lima, observa que o PLD é muito sensível à expectativa de chuvas e acabou sendo impactado pelo aumento da demanda dos últimos tempos.
Ele ressalta que a volatilidade apresentada não é nada que venha a causar apreensão, mas por ser gerado por um modelo matemático, o PLD reflete mais os custos de operação. "O PLD não reflete o que é o mercado e sim o custo marginal de operação. O CMO não dá um sinal errado para os agentes, dá um sinal que é o custo de operação, não reflete um preço de mercado. O preço estava a R$ 12 por MWh e os consumidores pagando R$ 20, R$ 25 por MWh como ágio para ter garantia de lastro, o que é um absurdo. É PLD mais R$ 25 por MWh", comentou Lima.
Bezerra, da PSR, destaca que a volatilidade é prejudicial aos consumidores mesmo em caso de baixos preços. "A volatilidade para qualquer um dos dois lados é ruim para o consumidor, porque ele poderia ter assinado um contrato mais barato e não assinou", atesta o consultor.
PLD - No submercado Nordeste, o PLD atingiu R$ 34,46/MWh para as cargas pesadas. As cargas média e leve na região ficam cotadas a R$ 34,21. Nos submercados Sudeste/Centro Oeste, Sul e Norte, as cargas pesadas foram avaliadas em R$ 34,38/MWh. Enquanto isso, as cargas média e leve registram R$ 32,38 e R$ 23,28, respectivamente, para todos os submercados, com exceção do Nordeste. Até a semana passada, todos os preços estavam no mínimo valor permitido pela Agência de Energia Elétrica, de R$ 12,80, com exceção do Nordeste, com todos os patamares de carga no valor de R$ 17,42.



Fonte: Canal Energia
Autor: Fábio Couto

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